quarta-feira, 21 de agosto de 2013

As alunas perguntam, as oficiais da Marinha Mercante respondem

Eu simplesmente adoreeeeeeeeeei fazer este post. Há alguns dias atrás recebi de uma aluna do CIAGA algumas dúvidas que ela teria sobre a profissão. Então contei com a ajuda de algumas amigas Oficiais para respondê-las. Espero que tenhamos conseguido tirar todas as dúvidas. Se não, mandem mais e mais e maaaaais perguntas. Será um prazer respondê-las.


Alunas do CIAGA

IMT Tereza responde as alunas
Quando uma mulher resolve parar de embarcar, quais os tipos de emprego que ela pode arranjar na área, mas em terra?
- Esse tipo de resposta é bastante subjetiva. Acho até que seria um pouco de grosseria de minha parte falar, mas a gente faz escola para embarcar. Porém, as coisas vão acontecendo e nossas vidas podem tomar rumos diferentes. Mas temos a oportunidade do quadro complementar da Marinha do Brasil, se tornando militar dessa forma. Têm os estaleiros, empresas Classificadoras, e as próprias empresas de navegação em seus escritórios. Bem como prestar concursos públicos. O segredo é não parar de estudar, pois as oportunidades vão surgindo.

No quesito vaidade, há alguma proibição a bordo?
- Bom, nas empresas nas quais trabalhei e trabalho hoje, a restrição existe apenas no caso de trabalho no convés e na máquina por questão de segurança. Não deve-se usar adornos, porém em relação a maquiagem não. E na superestrutura não há proibição. Mas levando-se em consideração que a bordo, mesmo nos horários de folga, nós estamos de prontidão, em caso de uma emergência, temos que agir rapidamente. Sendo assim, recomendo não usar. Deixe para o dia do desembarque. (rs)

A questão da escala sempre foi uma grande dúvida pra mim. É a empresa quem escolhe em que escala você vai trabalhar? Conseguir uma 28/28 ou 14/14 é muito difícil pra quem está começando?
- No momento da entrevista e/ou contratação, a empresa informará o regime de embarque que varia de acordo com cada uma. Cabe a pessoa decidi a que acha melhor para si. Em minha opinião, para quem está começando, a melhor escala é de navio mercante. Depois que você tiver um pouco mais de experiência, você passa para uma escala menor. Mas a bem da verdade é que isso depende da particularidade de cada um.

E quanto ao casamento e gravidez, gostaria de saber se depois de casadas e com filhos vocês continuam embarcando ou arranjaram um trabalho em terra?
- Algumas continuam embarcando, outras optaram por não embarcar mais, outras optaram trabalhar em terra. Mas a mulher tem que ter muita consciência de que os salários não são os mesmos. Bastante inferiores os de terra com os de bordo.

Quanto às empresas, quais as melhores de offshore que têm?
- Depende do objetivo de cada um. O que pode ser bom para alguns não tem importância para outros. Para quem está começando, qualquer empresa é boa. Depois de adquirir experiência e demonstrado profissionalismo, você vai vendo o que uma tem de melhor em relação as outras. Tem-se que levar vários fatores em consideração. Normalmente esses fatores só são enxergados com o tempo, ou melhor, depois que se embarca.

O que é necessário para trabalhar em plataformas? É realmente melhor do que trabalhar embarcado?
- Não tenho experiência para falar sobre isso. Pois nunca embarquei, mas os relatos que tive das pessoas que trabalharam e/ou trabalham é que o melhor, é o tempo de embarque.


Alunas do CIAGA
1ON Silvana responde as alunas
É verdade que ocorrem mais assédios sexuais da parte dos homens numa viagem mais longa, por exemplo, se optarmos pelo longo curso?
- A realidade que o assédio  pode ocorrer sim, mas o que vejo no dia-a-dia a bordo é que a maneira com que você age e se comporta influência muito na atitude dos homens de bordo com relação às mulheres. Quando fiz viagem de longo curso, o Comandante que eu trabalhava aconselhou que a gente usasse roupas mais folgadas e sem decote.

Para quem quer manter um contato melhor com família, e para quem quiser entrar na internet com mais frequência ou ter algum sinal no celular, se possível, existe algum tipo de navio melhor? Ou é melhor um offshore, plataforma, sei lá?
- Hoje em dia a comunicação é bem mais fácil. A maioria dos navios e rebocadores já tem internet o que ajuda muito na comunicação, tem wi-fi, o que possibilita estar sempre conectado. E todos os rebocadores que trabalhei têm telefones que podem receber chamadas, além de algumas de vocês terem a possibilidade de fazer ligações. Já quanto a sinal de celular vai depender mesmo do tipo de embarcação que você estiver trabalhando. Na cabotagem os navios sempre estarão indo ao porto ou os Rebocadores PSV que pelo menos uma vez na semana estão no porto.

Muitas mulheres têm um relacionamento com mercantes. Se não for, como vocês fazem para lidar com a distância?

- Relacionamento a distância é sempre complicado. Quando se namora um mercante fica mais fácil. A maior confusão é tentar embarcar junto ou pelo menos fazer com que as escalas de embarque coincidam ou pelo menos fique próximo. Embarcar com namorado é muito bom. Ter alguém que você realmente confie e possa contar a bordo é maravilhoso. Faz os dias passarem mais rápido. Você só tem que aprender a dividir trabalho do relacionamento porque senão vai ser mais complicado estar embarcado juntos do que lidar com a distância.


Alunas CIAGA
1OM Adriana Borges responde as alunas

Em que ano você se formou?
- Me formei em 2006 e terminei a praticagem em 2007.

Como foi a recepção dos maquinistas em geral? Foram preconceituosos? Fizeram alguma piadinha? Ensinaram as coisas durante a praticagem sem preconceito e de boa vontade? Como é agora o seu relacionamento com eles lá dentro? Você já chegou lá sabendo muita coisa ou meio "zerada"? Você sentiu algum tipo de "teste" dos homens de lá para saber se você era boa ou não, por machismo?
- No geral a recepção dos maquinistas foi boa. Por sorte, na minha praticagem, peguei um navio petroleiro velho (N/T Lages), mas com uma tripulação excelente. O chefe de máquinas me ajudou muito. Ensinava e não tinha preconceito algum. Mas teve um maquinista que se recusava a ensinar uma praticante maquinista mulher. Minha sorte é que embarquei com outro praticante maquinista homem. Aí pegava o bizu com ele. O que o outro maquinista preconceituoso passava para ele, ele passava para mim.

Mas com o tempo fui mostrando para que eu estava ali para trabalhar e fui conquistando a confiança dele. Mas também tinham outros maquinistas, marinheiro de máquinas e moço de máquinas que ajudavam. Não se iludam.  TODOS no navio têm muito a nos ensinar. Eram super atenciosos. Mas é certo que também temos que fazer nossa parte. Correr atrás, ler manuais, perguntar. Se tinha manobra nova, eu ficava depois do horário, no meu quarto de serviço para ver e aprender. Até porque na escola aprendemos o básico. Algumas vezes os equipamentos que estudamos na escola têm a tecnologia menos avançada; e a cada quarto de serviço aprendemos uma coisa nova. Cada embarque em um navio novo é uma nova praticagem. Os princípios dos equipamentos são os mesmos, mas nas manobras usamos alguma tecnologia que a gente ainda não tem conhecimento ou só ouviu falar.

Precisamos estudar sempre. Terminando a praticagem, voltei ao mesmo navio e fui ser maquinista,  junto com ele, o ex-preconceituoso (rs). E lá fiquei por dois anos. Mudei de empresa e fui para um PLSV. No início é sempre a mesma desconfiança. Dessa vez foi um pouco pior por ser barco estrangeiro. Eu era brasileira, maquinista e mulher. Desconfiança dobrada.

Muitas vezes, em atividades simples, como limpar um filtro de óleo, eu era vigiada para ver se estava fazendo certo. Fazia que não via e continuava meu trabalho. Mas isso nunca me incomodou. Sempre fiz minha parte, sempre fiz o meu melhor para mostrar a minha capacidade profissional. Se tinha dúvidas, perguntava a outro maquinista ou ao primeiro maquinista ou ao chefe. Sem a menor vergonha. E mais uma vez consegui conquistar a confiança e o respeito deles. Passei três anos nessa empresa. Hoje já sou 1OM e estou de subchefe em uma embarcação PSV. No meu primeiro embarque, a tripulação de máquinas se questionou: “uma mulher 1OM?”. Aí embarquei, fui testada alguns dias e deu tudo certo. Faço que não estou sabendo que estou sendo testada. Faço meu serviço e vou conquistando meu espaço. Hoje, com mais experiência, é mais fácil. Mas sempre temos que mostrar que somos capazes. Graças a Deus, apesar dos preconceitos, de alguns testes para saber se eu era capaz, nunca ocorreu desrespeito comigo. Depois que mostramos nossa capacidade tudo fica mais fácil.

Quero muito agradecer a parceria das Oficiais que se propuseram a ajudar e a aluna Keyla Regina que nos enviou as perguntas.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Mulheres Mercantes no Instagran

Não falei que mais novidades viriam por aí? Sabe onde estamos agora?  No Instagram.




Quem participou do último seminário do SINDMAR já pode compartilhar suas fotos e ainda concorrer a um brinde surpresa. É muito simples participar: basta usar o #mulheresmercantes.

Sua foto compartilhada em nossa rede. Até o fim do ano farei vários sorteios aqui pelo nosso blog.

Acompanhe o Blog e saiba como participar!

Blog das Mulheres Mercantes comemora 80.000 visitas


Pessoaaaaaal, que alegria! Sabem o nosso marco dessa semana? 80 miiiiiiiiil  visitas. Muito o que agradecer a vocês por tudo. Cada uma dessas visitas são um orgulho para mim. Criei nosso blog com o intuito de informar e interagir e esse número de visitas só me deixa satisfeita e realizada com o nosso sucesso.

Agora vamos rumo a 100 mil hein?? Super Feliz.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Da bota ao salto, a vaidade da mulher mercante

A Oficial de Náutica Joana Feitosa já esteve colaborando com o nosso Blog contando suas aventuras no Mar. Agora ela vem nos mostrar a grande transformação que acontece quando ela chega em terra, quando tira a sua bota e coloca um salto.

No passadiço da embarcação que tripula
usando seu macacão e botas de segurança

Joana Feitosa, 29, formou-se na EFOMM em 2009. Sempre muito vaidosa, nunca dispensa um "banho de salão" quando desembarca. Cabelo, corpo, unhas, sobrancelhas etc... Tudo o que nós mulheres adoramos. Além disso, ela também amaaaaaaaaaaa estar antenada com a moda. Roupas e sapatos são seus maiores hobbies.

A Oficial acabando de sair do Salão de Beleza
"Raras são as vezes que saio e não compro nada para mim", brinca Joana para nosso Blog.

A Piloto coleciona pares e pares de sapatos e sandálias. Coleção para qualquer mulher ficar louca. Roupas, então, nem se fala. Em casa ela tem closet só para as "coisinhas" dela.

Joana: "Não importa a onde eu vá, vou arrumada"
"Sempre busco estar bem comigo. Passo 28 dias trabalhando em trajes de segurança, macacão, botas, luvas... Muitas vezes com o cabelo preso. Então, quando chego em terra, adoro me produzir, usar roupas legais, sapatos confortáveis, maquiagem, perfume. Não importa aonde eu vá,vou arrumada"

Joana: "Acho que temos que estar bem vestidos,
homens e mulheres Mercantes"
Sempre valorizando a imagem da mulher que embarca, Joana não dispensa os cuidados em terra.

"Acho que temos que estar bem vestidos. Não digo só as mulheres mercantes, mas os homens também. Ganhamos um salário bom e devemos valorizar o nosso exterior também"

No detalhe do Closet da nossa Oficial
Ela adora dar dicas de salões, lojas e restaurantes. E já está pensando em se tornar blogueira também. Legal, né? Quem sabe em breve teremos mais uma marítima na Blogosfera.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A primeira vez a bordo de uma futura Oficial da Marinha Mercante

Gabriela Montenegro é cearense e cursa o 1° ano da EFOMM (Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante). Ela nos conta como foi sua primeira visita a um navio.

Aluna Gabriela 1°ano EFOMM

Como escolheu a Marinha Mercante?

- Na realidade eu fiz vestibular da EFOMM por acaso. Conheci o curso através do meu namorado. Ele sugeriu que eu fizesse para ter experiência em vestibulares. Então eu fiz, mas na realidade eu não estava focada em nenhuma escola militar. Estudava para o ENEM no intuito de cursar Engenharia Civil na UFC. Entretanto, como a maioria das pessoas na minha idade, eu não tinha certeza da profissão que queria seguir. Então fiz vários concursos e a EFOMM foi mais um deles. Por sorte, ele foi o 1° a divulgar o resultado. Então continuei no processo seletivo como garantia, pois vai que nada dava mais certo né? Acabou que tive varias opções, medicina, administração, engenharia civil, mas escolhi a EFOMM pela grande influência das pessoas que diziam que eu não poderia perder tal oportunidade e por eu não saber o que queria de verdade. Então fui para a adaptação sem muita certeza se ficaria, se era aquilo mesmo que queria, mas acabei ficando. E estou até hoje. Acabei de cursar o 1° semestre e estou gostando de verdade.

Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou no curso até agora

- Sair de casa é muito difícil para qualquer pessoa. E comigo não foi diferente. Especificamente, lá na escola, a minha maior dificuldade foi o período de adaptação, porque eu sofri muito com a dúvida se era aquilo mesmo que eu queria, ainda mais porque eu estava deixando muita coisa boa para trás. Grandes oportunidades que eu tinha conquistado, minha casa, minha família...foi difícil, mas já passou, e eu consegui.

Alunas Gabriela e Isis no convés do navio Gurupá

Essa foi sua 1° visita a navio?

- Essa foi minha primeira visita sim. Eu fiquei encantada com tudo. O tamanho do navio, cada detalhe que existe nele. É incrível como tudo tem uma função. Por mais simples que a peça seja, ela serve para algo importante. Também adorei o ambiente. É muito bonito ver o mar de "dentro dele". A visita foi sem dúvida muito importante para minha escolha de curso e aprendizado, pois é bem mais fácil aprender na prática, não é?

Alunos conhecendo a praça de Máquinas do  navio

A escolha do curso será só no fim deste ano, Náutica ou Máquinas, já escolheu o que vai cursar?

- Já escolhi o curso. Quero, com certeza, Náutica. Espero realmente conseguir, pois não me vejo em outra coisa.

Alunos tendo instruções no passadiço do Navio

Pretende seguir carreira?

- Como estou no 1° ano, comecei agora. Não tenho muita certeza ainda de como será minha vida daqui a uns anos, mas, inicialmente, eu gostaria de seguir carreira sim. Vou procurar sempre fazer cursos e embarcar para que o Comando chegue o mais rápido possível. No entanto não sei ainda como irei conciliar isso com o fato de eu querer constituir uma família no futuro, mas ai somente o tempo vai dizer.

Ao final da visita no cais do porto de Mucuripe, em Fortaleza
Pronto, Laura, adorei participar do blog, obrigada mais uma vez por nos ajudar com a visita ao Navio, foi ótimo. Beijo

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Blog das Mulheres Mercantes é destaque em reportagem na revista UNIFICAR, do Sindmar

Oi geeeente: como disse na semana passada, a revista UNIFICAR do Sindmar fez uma reportagem bem interessante sobre Blogs. E o blog das Mulheres Mercantes mereceu o maior destaque. Publicaram duas páginas da minha entrevista.



As imagens acima são apenas para vocês terem uma ideia de como ficou a reportagem. Quem quiser ler a matéria e a minha entrevista na íntegra é só entrar no site do Sindmar. Ou clicar AQUI.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mulher do mar participa de protesto na rua

A Jordana Vieira é oficial de Náutica e se formou no CIABA em 2010, reside em Porto Velho e foi lá que ela participou de protestos na rua.

Jordana Vieira, oficial de Náutica

Como soube dos protestos na sua cidade?
 - Assim como a maioria, eu soube pelo facebook, além, claro, de já estar acompanhando os demais protestos pelo Brasil através da televisão. Eu estava na casa de uma amiga quando me chamaram. Não pensei muito e fui. Pintei o rosto e fui protestar.

Por que ir para a rua? 
 Acho que talvez a frase possa ser um hoje um clichê, mas "O gigante acordou". O povo cansou de suportar calado tanta corrupção, abusos feito pelo Governo, impostos altos, os mais altos do mundo. E como cidadã me senti no dever de lutar junto com os outros brasileiros, que contribuem para sustentar este país. Sem contar com a inversão de valores. Enquanto se trabalha dignamente para receber um salário minimo de pouco mais de R$ 600, tem preso embolsando mais de R$ 700,00. Não dá pra aceitar, é muita impunidade. O povo está sendo muito explorado para beneficiar uma minoria corrupta. 

Jordana pintou o rosto e foi para a rua

E por nós marítimos o que o nosso governo poderia mudar?
 Proteger nosso mercado de trabalho. Precisamos ocupar as vagas no nosso setor, precisamos de mais fiscais para a RN 72. Fiquei abismada em saber a quantidade de 60 fiscais para todo o país. É humanamente impossível." Para o Brasil, brasileiros", é isso que queremos. O petróleo é nosso, as riquezas têm que vir para os cidadãos brasileiros e não peruanos, chilenos, americanos, filipinos....etc... Para outras nacionalidades como as dos peruanos o Brasil e os salários de brasileiros é uma maravilha, eles não querem outra coisa. Agora ficamos nós brasileiros tendo que disputar mercado com uma mão de obra que muitas vezes não é tão bem qualificada como a nossa. Tem a barreira da língua também. Eu quero falar português no meu País. Eu sou absolutamente contra em contratar estrangeiros e deixar brasileiros desempregados. 

 Jordana acompanhada dos amigos no protesto:
"Eu fui para a rua naquele dia e irei sempre"

Obrigada, Jordana, por suas palavras. Precisamos de muito mais gente, tanto nas ruas, quanto nos nossos navios, dispostos a fazer a diferença. Parabéns por sua iniciativa e bons ventos.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Sindmar divulga Blog das Mulheres Mercantes na revista Unificar

Genteeeeeeeee, Olha que tudo! Tô tão feliz! Na próxima edição da revista Unificar eu terei uma página todaaaaa minha para falar do nosso blog. Não é demais?

Tô super ansiosa para ver toda a matéria, mas até agora, em primeiríssima mão, só tenho esse pedacinho que consegui com o setor de imprensa. Assim que sair a reportagem eu aviso a vocês.



E quem não recebe a revista poderá lê-la pela internet. Então não haverá desculpas de não saber o que tá escrito na íntegra, hein!

Até la continuem lendo o blog. Está chovendo novidades.

Saudações Marinheiras a todos!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Mulheres Mercantes no 16° Seminário do SINDMAR em Recife

No final de semana passado, o SINDMAR  - Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante, o único representante legal da categoria dos Marítimos, reuniu no Hotel Amoaras, em Pernambuco, cerca de 160 pessoas. Dessas quase 90% eram alunos dos centros de instruções, CIABA e CIAGA.

Parte do público que participou do 16° seminário
Com o intuito de melhorar a visão dos associados e dos novos companheiros de trabalho sobre o mercado de trabalho, o seminário teve 3 dias de duração, com diversas palestras sobre o setor.


Palestrante Isabela Costa, Delegada Regional de Pernambuco,
mostrando as melhores formas de se informar sobre nosso sindicato

O palestrante Edson Areias demonstrou amor a profissão
e fez a plateia  vibrar com suas palavas

Esta sou eu, Laura Teixeira, palestrando sobre o
novo mercado que se apresenta para o  jovem oficial


Após o término do Seminário deu para sentir a satisfação de todos os presentes com o conteúdo de tudo que foi passado, bem como com o que o nosso sindicato tem feito para a categoria, na defesa do mercado e da mão de obra brasileira nas águas brasileiras.


Uma das coisas que mais me deixou feliz é que muitas mulheres estiveram presentes. Isso demonstra que mais e mais estamos dentro deste mercado e estamos sim interessadas em melhorar.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Expectativas de uma futura formanda da Marinha Mercante

Meu nome é Elisa Falcão Ferreira, tenho 22 anos. Sou natural do Rio de Janeiro, mas antes de ir para o CIABA eu já morava em Recife há 10 anos, e me considero bem pernambucana. Sou do 3º ano de Náutica.
Elisa Falcão, aluna 3° ano de Náutica - CIABA

 Como conheceu a Marinha Mercante?
- Através do irmão de um amigo, que fazia EFOMM e se formou em 2007. Foi através dele que eu soube da Escola, de algumas coisas sobre embarques e praticagem. Depois, vários amigos meus do Colégio Militar foram se formando, e a cada dia eu ia sabendo e me encantando mais. 

 O que te motivou a seguir esta profissão?
- Mentiria se falasse algo que não fosse o dinheiro, a minha independência financeira. Mas essa foi a motivação inicial, hoje tenho outros objetivos. Eu realmente me apaixonei pela ideia da profissão, tenho vontade de me aperfeiçoar e de fazer o meu trabalho com excelência. 

Depois de 3 anos, faltando 1 semestre para se formar, o que teve de maior experiência dentro da escola?
- Sem desmerecer os estudos em geral, é fato que aprender a conviver o tempo inteiro com pessoas totalmente diferentes de você, e com pensamentos opostos, nos faz crescer demais. Eu estou saindo da Escola uma pessoa muito mais tolerante e madura, e tenho certeza que isso é uma coisa que vai me ajudar na convivência a bordo e pra vida toda.

 
Elisa em visita ao AVIN, embarcação de instrução da escola

Sentiu algum preconceito por ser mulher? Teve dificuldades por ser mulher?
Não senti esse preconceito na Escola. Pelo contrário, sempre fui tratada de igual pra igual pelos homens da minha turma. Mas eu sempre trabalhei a minha cabeça para esse preconceito, e acho sim que em algum momento da profissão o preconceito vai existir. Como as mulheres fizeram na história da Marinha Mercante, brilhantemente, eu também quero estar preparada pra mostrar o nosso valor através do meu trabalho, dedicação e profissionalismo. 

Em pouco tempo terminará seu curso e partirá para a praticagem. O que espera?
- Primeiro eu espero uma vaga de praticagem, a verdade é essa. Com a vaga certa, eu espero um ano de muito aprendizado, muita ralação e experiências engrandecedoras. 


O que espera do mercado de trabalho que está em seu horizonte?
- Espero que tenha espaço e valorização para o marítimo brasileiro, não acho que é pedir demais.

Quais conselhos você daria para as meninas que estão de fora querendo ingressar na MM?
- Essa é a pergunta mais difícil de todas, sem dúvida. E ela é complicada pelo único e simples fato de que impressões são bem particulares e os conselhos que eu gostaria de ter recebido talvez não tenha nada a ver com a realidade de uma menina que está prestes a fazer um concurso como esse. Só tenho a dizer que vale a pena. Que da pequena experiência que eu tive até agora, que foi a Escola, vocês vão tirar coisas impagáveis. Amizades pra vida toda, crescimento pessoal incrível, amadurecimento, realização e uma aquisição de paciência que até você vai se surpreender.
Meu "conselho" é que venham, se esforcem e venham! 

Algo mais que você queira dizer?
- Foi um prazer imenso dar essa entrevista. Te admiro muito desde a palestra que ministrou no CIABA. Fiquei impressionada com a sua desenvoltura e poder de se fazer entender tão facilmente. Com certeza você contribui na formação de opinião e na nossa vontade de correr atrás dos nossos direitos e vencer.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mulheres poderosas em grupo de elite da PM


Oi geeeeennnnnteeeeee. Tenho andado envolvida em outros projetos, mas em breve vou voltar aqui no nosso Blog com toda a força. Vejam a matéria que recebi de uma amiga de Vitória. É do jornal "A Tribuna". Vale a pena ler. É só tocar com oa setinha do mouse na imagem.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Mesmo com mestrado mulheres ganham menos do que homens

Oi, geeeennteeeeeeee! Vejam que texto interessante recebi do nosso colega Edson Areias. É um absurdo que esse tipo de coisa continue acontecendo. Puro preconceito, puro desrespeito. Mas é sempre bom lembrar que, apesar de a pesquisa abaixo demonstrar que as mulheres continuam em média recebendo menos do que os homens para trabalhos iguais e com a mesma responsabilidade, na Marinha Mercante isso não acontece. E isso não ocorre à toa e de graça. Mas sim, no nosso caso, à existência de elevado número de Acordos Coletivos de Trabalho que não distinguem gênero nos contratos de trabalho. Geram ainda um cenário no mercado de trabalho impossível de ser ocupado com remunerações diferentes independente do gênero de quem trabalha. É disso que a gente tem que se orgulhar.



Mulheres com mestrado ganham menos do que homens com a mesma titulação
Mariana Tokarnia - Agência Brasil - 22/04/2013 - Brasília, DF

Imagem ilustrativa tirada da internet

O número de mulheres com mestrado no Brasil é maior que o número de homens com a mesma titulação. Elas representam 53,5% dos mestres no país e eles, 46,5%. No entanto, em termos de remuneração, as mulheres ganham em média R$ 5.438,41, 28% a menos que os homens, que recebem R$ 7.557,31. Os dados foram divulgados hoje (22) pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) no estudo Mestres 2012: Estudos da Demografia da Base Técnico-Científica Brasileira.

Segundo o estudo, que utiliza dados do final de 2009, as mulheres têm uma participação maior (71%) nas áreas de linguística, letras e artes. Na área de ciências sociais aplicadas, onde a remuneração é maior, as mulheres representam 43,2% dos empregados. Na segunda área de maior remuneração, as engenharias, as mulheres têm a menor participação relativa entre os empregados, 27,9%.

Os números mostram que, dentro de uma mesma carreira, ocorre diferenciação. Nas engenharias, homens com mestrado ganham em média, R$ 8.430,18. As mulheres com a mesma formação e carreira, recebem em média, R$ 6.133,98. Em linguística, letras e artes, carreira em que são maioria, as mulheres recebem em média R$ 4.013,87 e os homens, R$ 4.659,60.

Um dos fatores para essa diferença salarial, explica a coordenadora técnica do projeto, Sofia Daher, assessora técnica do CGEE, é que existem `menos mulheres em cargos de confiança, nos quais os salários são maiores`.

A diferença aparece também entre as regiões. `Em 2010, a remuneração média mensal dos mestres que eram mulheres era 44% menor do que a dos homens nas regiões Sudeste e Sul. Nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, a diferença era respectivamente 38% e 37% enquanto que na Região Norte era 18%`, diz o estudo.

`A diferença de remuneração por gênero é algo que temos que pensar e melhorar. A educação corrige uma parte, mas não corrige totalmente a distinção que está na sociedade`, diz o presidente do CGEE, Mariano Laplane. O mesmo, segundo ele, se aplica para a população negra.

Os brancos, que correspondem a 47% da população, representam 80% dos mestres e doutores. Os pardos, que são 42% da população, representam 16% dos mestres e 12% dos doutores. Os negros são 8% da população, 3% dos mestres e 2% dos doutores.

Em dados gerais, de 1996 a 2009, a formação de novos mestres cresceu 10,7% no país. O Distrito Federal é a unidade federativa com maior número de mestres por habitante, 5,4 mestres por mil habitantes entre 25 e 65 anos de idade. Cerca de 43% desses profissionais atua na área de educação. A titulação oferece um aumento de salário - mestres recebem 83% a mais que graduados e doutores 35% a mais que mestres.

`O mestrado é um treinamento rápido, de dois anos, que atende a uma demanda maior que o doutorado. O mestrado atende a uma demanda do setor produtivo da nossa economia. Temos conseguido expandir a etapa de ensino para regiões mais carentes, para formar mão de obraqualificada`, diz Laplane.

sábado, 13 de abril de 2013

Site de Universidade reproduz post do blog das Mulheres Mercantes

Oi geeeennteee, olha que legal. O site da Universidade do Vale do Itajaí reproduziu um post publicado aqui no nosso blog das Mulheres Mercantes.


Quem quiser ver na íntegra, é só clicar aqui.

domingo, 31 de março de 2013

Dilma Roussef e outras mulheres de sucesso foram criadas em colégios de freiras

Oi, gente: vejam que matéria interessante foi publicada naquela revista "Serafina" da Folha de S. Paulo, de hoje.


Dilma Roussef, Marina Silva e Cármen Lúcia foram educadas em colégios de freiras

ELIANE CANTANHEDE
A eleição do papa Francisco fez muita gente lembrar que o Brasil é o maior país católico do mundo, pelo menos da boca para fora. E as mulheres que chegaram ao poder no Executivo, no Legislativo e no Judiciário vieram de... colégios de freiras.


O exemplo maior é Dilma Rousseff, 65, mineira de nascimento e gaúcha por adoção, que estudou nos colégios Sion e Santa Doroteia, de Belo Horizonte, lutou contra a ditadura, foi presa, torturada e virou a primeira mulher a presidir o Brasil.

A educação era rigorosa, tinha até latim. Mas, aos domingos, Dilma subia o morro do Papagaio com as freiras para ensinar regras básicas de higiene para os moradores da favela. Era o GGN (Grupo Gente Nova), que operava ali a doutrina social da Igreja Católica posteriormente expressa no Concílio Vaticano 2º, conduzido pelo papa João 23.

O hábito das guerreiras

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Ilustração Manuela Eichner
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Da esq. para a dir.: Dilma Housseff, Gleisi Hoffmann, Cármen Lúcia, Eliana Calmon e Marina Silva; algumas das mulheres mais fortes da política atual foram educadas em colégios de freiras, onde aprenderam a fazer o oposto do que fizeram com suas vidas
"A primeira favela que vi na vida, eu fui levada pelas freiras do Sion. Foi uma semente para a minha consciência social", disse Dilma à Serafina. Dali, ela pulou para o Colégio Estadual e para a militância política e fez sua trajetória fulgurante até subir a rampa do Planalto.

Chefe da Casa Civil de Dilma, a ministra Gleisi Hoffmann, 47, saiu do colégio Nossa Senhora da Esperança, em Curitiba, para um partido comunista e a resistência à ditadura militar.

Com uma diferença: o pai impediu que ela seguisse a vida religiosa. "Quase virei freira", diz ela, que frequenta missas e faz meditação - já foi até a Índia para isso.

Gleisi aproveitava os dias de oração na capela, na casa das freiras, para dar um jeito de comer com elas. "Eu adorava o almoço das irmãs", relembra.

Foi o oposto com a mineira Cármen Lúcia, 58, ministra do Supremo Tribunal Federal e primeira mulher a presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE): interna no Sacre Coeur de Belo Horizonte dos 12 aos 17 anos, tinha pavor da comida.

"Nunca como arroz. É trauma do colégio porque o arroz era horrível, uma papa insuportável", diz ela, confessando que esses anos não foram os melhores de sua vida.
"Não fui feliz por causa da ausência de liberdade", explica, admitindo outro trauma: "Era sininho para tudo. Para acordar, para fazer fila, abrir o chuveiro, fechar o chuveiro. Até hoje não suporto ouvir sininho".

Dilma, Gleisi e Cármen Lúcia fizeram bom uso da educação em colégios de freiras, então exclusivos para meninas: tiveram excelentes professoras, aprenderam línguas e atribuem seu rigor e disciplina a esse tempo.

Todas trabalham muitas horas por dia. Cármen Lúcia acorda às 5h30 da manhã até aos domingos e, não raro, passa dias trancada em casa lendo processos e redigindo votos.
Se as freiras imaginavam que as "moças de família" seriam boazinhas e cordatas, erraram feio. "Podem escrever o que quiserem na minha lápide, menos que eu era boazinha", ri a ministra que, no Supremo, participou do julgamento do mensalão do governo Lula.

Outra ministra de fibra que passou por bancos escolares conduzidos por freiras foi Eliana Calmon, 68, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deu o que falar como corregedora nacional de Justiça. Com enorme coragem e sem papas na língua, admite que foi "duríssima" com os juízes que não se levam a sério.

Baiana, mais velha de três filhos, foi uma aluna exemplar do Colégio Nossa Senhora da Soledad, em Salvador, mas era atrevida e dava uma canseira nas freiras: muito alta, se recusava a ser a última da fila e roubava pitangas no jardim.

CROCHÊ, BORDADO E PINTURA

A primeira governadora eleita do país, Roseana Sarney, 59, filha do ex-presidente da República José Sarney, não escapou do colégio de freiras. Virou deputada e senadora e está em seu segundo mandato no governo do Maranhão.

Aluna do Sacre Coeur de Marie, em Brasília, era boa na aula de declamação. "Isso foi útil pelo resto da minha vida", diz. Só levava na galhofa a obsessão com a
hierarquia. Sempre que encontravam uma freira, as meninas tinham de cumprimentá-la em francês, com um pé na frente do outro, mãos unidas e reverência com a cabeça.

Ao contrário de Roseana, que considera sua escola "bastante avançada", a subprocuradora Sandra Cureau, 66, não tem uma lembrança positiva do
Ginásio Santa Terezinha, de Porto Alegre, onde estudou até o início da década de 1960.
Candidata a ser a primeira procuradora-geral da República, ela diz que, além de latim, tinha aulas de canto e de trabalhos manuais: crochê, bordado, pintura. "Eu era péssima em tudo isso. Aliás, ainda sou."

Segundo ela, as meninas eram educadas para serem doces donas de casa: "Nos ensinavam que a mulher deve contentar o marido, jamais retrucar, estar sempre arrumada, com o almoço pronto, esperando ele chegar", lembra.

Se o destino de meninas de famílias ricas ou de classe média eram os colégios de freira, a cabocla Marina Silva, 55, chegou lá por outro caminho. Alfabetizada pelo antigo Mobral, foi para a Casa Madre Elisa, em Rio Branco, já adolescente e como noviça. Ficou três anos.

Estudava no Colégio Imaculada Conceição, que ficava no mesmo terreno, e acumulava as aulas com tarefas domésticas: fazia a faxina e ainda cuidava do jardim, da horta e da cozinha, onde fazia o café da manhã às 5h, pontualmente.

Como as luzes dos quartos eram apagadas às 20h todos os dias e ela temia perder o ano, Marina alegou que a lâmpada do corredor incomodava e pregou cartolinas pretas no vidro da porta para poder estudar à luz de velas pela madrugada adentro.

A madre superiora do convento era "implicante" e fazia duras críticas aos irmãos da Teologia da Libertação. Isso fez Marina pensar: "Por que essas pessoas são más? Porque defendem a gente?".

Foi assim que conheceu a Teologia da Libertação, virou militante da sustentabilidade, filiou-se ao PT, elegeu-se senadora e foi candidata a presidente da República pelo PV, em 2010, amealhando quase 20 milhões de votos. Está fundando agora um novo partido, a Rede, para disputar a presidência novamente em 2014.

Marina continua combativa como sempre, mas é evangélica da Assembleia de Deus Novo Dia. "Foi uma conversão dentro da conversão", diz.

Todas essas mulheres foram educadas para serem dóceis e gentis senhoras da "sociedade", mas usaram o rigor e a disciplina como ferramentas para algo bem mais produtivo: intervir na realidade, disputar o poder e, cada uma a seu jeito, mudar o país para melhor.

sábado, 30 de março de 2013

Biblioteca para mulheres, ameaçada de fechamento, ganha novo abrigo

Oi gente: vejam que interessante saiu hoje no jornal O Globo. Para quem gosta de livros e pretende ir em breve a Londres, eis uma boa dica. E não são apenas livros. Tem também fotos que fazem parte de uma coleção que retrata cenas dos movimentos de lutas pelos direitos femininos até o cotidiano das mulheres em diversas épocas e contextos sociais. Para ler é só passar o cursor do mouse no recorte de jornal abaixo.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A "Dual Cadet" da Maersk

Olá pessoal!
Hoje vou apresentar a vocês nossa amiga e companheira de profissão Luciana Custódio. Ela se formou pelo CIABA em 2011 e atualmente é prática de Náutica na empresa Maersk. Após ser aprovada no concurso da escola, ela iniciou sua praticagem em navio e atualmente está no Offshore.

Com um irmão mais velho na Marinha Mercante, ela me contou que não sofreu influências para optar por Náutica, mas mesmo assim admira e tem muita curiosidade pela profissão de Máquinas.

Eu acho legal a profissão de Máquinas, e tive a sorte de embarcar nos navios classe L da Maersk, que são os mais novos. Então era bem agradável ir pra lá ajudar os maquinistas. Sempre bom conhecer os dois lados, não ficar muito leiga no assunto. Eu ia por conta própria para conhecer.”

Os maquinistas não se importavam com sua presença no ambiente de trabalho deles? Não rolava um ciúme?
- Não, pelo contrário. Eles gostavam da minha iniciativa de aparecer lá para conhecer.

E eles faziam o mesmo no passadiço? Tinham curiosidade de ir lá?
- Que nada. Eles iam sempre ao passadiço durante a noite, mas somente pra interagir, conversar, tomar café... rsrs... não para trabalhar. Como na Maersk, a maioria dos oficiais é “dual”, eles terminam a faculdade tendo carta pra exercer as duas profissões. Mas claro que eles têm que escolher uma. Por isso eles conhecem bem tanto de Máquina quanto de Náutica e como eu não tenho isso, fiquei interessada e ia sempre lá para aprender mais.

"Eles iam sempre ao passadiço durante a noite, mas somente pra interagir,
conversar, tomar café, afirma Luciana sobre seus companheiros oficiais de Máquinas"
O que de mais interessante aprendeu nessas suas visitas?
- Aprendi muita coisa. Principalmente com relação a operações Offshore... Supply, Anchor handling, lançamento de torpedos, scale squeeze, bunkering…

Qual era a nacionalidade destes tripulantes?
- Variava muito. Dinamarqueses, ingleses, poloneses, russos, eslovenos, escoceses, brasileiros...

Me fale mais sobre essa condição dos oficiais serem Dual. O que você sabe sobre isto?
- Olha, na Dinamarca, eles promovem isso. Por exemplo, e ao contrário do Brasil, eles se formam num total de 5 ou 6 anos, mas nesse meio tempo, eles embarcam e voltam para a escola. Assim eles aplicam o que aprenderam na faculdade. Já nós, brasileiros, chegamos  meio “zerados” nos navios. Infelizmente esta é a nossa realidade! Eles têm conhecimentos dos dois ramos, mas, no final do curso, escolhem o que eles preferem. Atualmente, na Dinamarca, eles estão acabando com esta prática, porque, como no final do curso eles somente escolhem um,  não haveria a necessidade deles ficarem tanto tempo na faculdade.

Entendi. E você sofreu influência do seu irmão para fazer Náutica?
- Em parte sim, mas hoje vejo com outros olhos a profissão de Máquinas. O pessoal no meu navio me chamava de “dual cadet”.
Devido ao seu interesse pelo ambiente de máquinas,
 a Praticante Oficial de Náutica Luciana ficou conhecida como "Dual Cadet"
Muuuuuuuuuito obrigada Luciana por participar do nosso Blog. Assim como você, outras meninas que queiram contar sua história ou dividir conosco algum episódio ou curiosidade na profissão, basta me enviar um email. Para quem ainda não sabe, o email do nosso blog é: mulheresmercantes@gmail.com.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

2º ENCONTRO DE JOVENS MARÍTIMOS

Chegou a vez da cidade do Rio de Janeiro. Depois do sucesso do encontro em Fortaleza, o 2° encontro de jovens marítimos tem tudo para ser muiiiiiiiiiiito bom.

Mais um vez, com o intuito de reencontrar e fazer novos amigos, discutir, debater, conhecer e compreender melhor o cenário em que a nossa Marinha Mercante se encontra, esse evento promete surpreender quem dele participar.



E para participar é muito simples: basta enviar um email para nosso blog com seu nome completo, função e telefone para contato.

Simples, não é?

Se você é Marítimo e está no Rio ou passando pela cidade, não perca essa chance: as inscrições vão até dia 19 de janeiro.